Foto: Rafael Bald (UFSM)/Divulgação
Alguns moradores perderam familiares, casas, mobília, documentos e recordações de família, como o servidor público aposentado Romeu Lemes, de Silveira Martins.
Produzida por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), os episódios da série documental Marcas da Chuva estreiam a partir desta segunda-feira (4) nas redes sociais. Com relatos de moradores da Quarta Colônia que enfrentaram as enchentes de maio de 2024, a produção busca registrar a memória das comunidades atingidas e refletir sobre os impactos humanos dos desastres climáticos.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
A data marca os dois anos do início das inundações na região. Os episódios serão publicados sempre às segundas e quintas-feiras, com histórias que evidenciam perdas materiais, emocionais e, em alguns casos, de familiares.
De acordo com a coordenadora do projeto, a professora Ada Cristina Machado Silveira, a série funciona como um testemunho coletivo:
– Trata-se de um esforço de registro da memória e sua lição de resiliência, testemunho da desafiadora relação humana com o ambiente – afirma.
Histórias de perdas e resistência
A série reúne mais de 12 entrevistas distribuídas em 10 episódios, com cerca de seis minutos cada. Os relatos são de moradores de cidades como Silveira Martins, Nova Palma, Agudo, Faxinal do Soturno, Restinga Sêca e Dona Francisca – municípios que sofreram com os efeitos das chuvas intensas.
Entre as histórias retratadas está a do aposentado Romeu Lemes, de Silveira Martins, que perdeu bens e lembranças familiares durante a enchente. Ao todo, três mortes foram registradas na região, nos municípios de Pinhal Grande, São João do Polêsine e Silveira Martins.
A diretora da série, Dafne Pedroso, destaca o papel da produção na conscientização:
– A resiliência social começa quando entendemos a dimensão do risco e dos danos de se enfrentar um desastre como as inundações que vivenciamos em nossa região. E dar voz ao relato de pessoas que viveram isso na pele e foram profundamente marcadas é uma forma de levar essa sensibilização ao público. Além disso, contar essas histórias, muitas vezes esquecidas em meio a tantos desastres enfrentados no Estado no mesmo período, é uma forma de lembrar que a Quarta Colônia também foi severamente afetada – explica.
Produção e bastidores
Além dos relatos dos moradores, um episódio final mostra os bastidores da produção e reúne depoimentos da equipe. A diretora de produção, Camila Pereira, relata o impacto emocional do trabalho:
– O mergulho nas histórias foi intenso. Estar imersa por horas e dias em cada uma destas tragédias foi um grande desafio. Ouvir e relatar o sentimento dos moradores ao passarem por um desastre, contando sobre suas perdas e medos, foi angustiante, mas também uma enorme responsabilidade – diz.
A série faz parte dos projetos Governança e Multidimensionalidade dos Riscos Climáticos, financiado pela Fapergs, e Comunicação de Proximidade, financiado pelo PROEXT/CAPES. A primeira iniciativa conta com parceria entre a UFSM e as universidades Unipampa e UFRGS.
Como acompanhar
Série documental Marcas da Chuva
Quando: estreia em 4 de maio, com episódios às segundas e quintas-feiras
Onde: Instagram (@comunicacaodeproximidade), Facebook Comunicação de Proximidade e YouTube (@ComunicaçãodeProximidadeUFSM)